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Este post eu estava guardando para o dia do meu aniversário, por motivo que você saberá logo mais. Mas como fiquei sem assunto nos últimos dias, pois não vi nenhuma notícia de games que merecesse um grande destaque (o lançamento do Sonic 4 já era esperado, não foi novidade), resolvi antecipar. Até mesmo porque, é um post homenagem, e acho que esta pessoa merece esta homenagem já.

Este blogueiro que vos fala sempre foi uma pessoa solitária. Minhas muitas manias, vícios e uma certa dose de Agorafobia, me faziam ter a certeza que eu fui feito para ser uma pessoa sozinha. As vezes, brincava de dizer que no meu futuro eu seria conhecido pela vizinhança como “o véio dos gatos”, aquele tiozinho que mora naquela casa com fachada mal cuidada, portão com grades e pontas de lança no topo, com uns 10 gatos de estimação. Aquele tiozinho, que quando a bola cai no quintal dele, as crianças falam: “xiiiii… ow, você que chutou, vai lá pegar!”. E então as crianças, enquanto discutiam, veriam apenas a porta se abrindo, minha mão esticando para pegar a bola e a puxar para dentro de casa, um barulho de estouro, e a bola murcha sendo arremessada para a rua, em direção aos garotos.

E esse futuro até tinha uma certa lógica. Meu último relacionamento com outra pessoa (pessoa não, mulher vai. Se eu ficar falando assim você pode acabar pensando errado) tinha sido há 10 anos atrás. Desde então, nunca consegui me entender com ninguém, pelos motivos citados logo no começo do post. Fui me distanciando do resto da humanidade, e cada vez mais agradecendo aos céus pelo avanço da tecnologia e da internet, transformando todos os jogos em multiplayer e barateando a banda larga a níveis acessíveis, fazendo com que cada vez mais eu precisasse menos sair de casa. Não ia em baladas, não ia ao cinema, não ia ao estádio de futebol, não ia ao teatro, não ia a lugar algum. Sexta feira eu chegava em casa do meu trabalho, ia pro quarto, ligava o PC e a TV a Cabo, e ficava lá até segunda feira, quando tinha que sair para trabalhar.

Ai um dia, uma amiga do trabalho resolveu pedir uma opinião sobre uma festa. A festa seria na casa dela, e o tema seria Saquê e Tequilla. Por “tema”, entenda-se que só teria isso para beber. Então dei a idéia de a chamar de “Saquilla Party”, e assim começou a divulgação no Twitter. Como criador do nome, fui sumariamente convidado. E mesmo contra os meus instintos naturais, resolvi aceitar.

Cheguei na casa dela no horário combinado. Obviamente, fui um dos primeiros a chegar. Tomei uma dose de Tequilla e parei por ali pois, ainda bem, acabou que também tinha cerveja para beber, e não só as duas bebidas temas.  Não sou bom com Tequilla. Costumo dizer que quando eu tomo duas doses de Tequilla, a noite acaba, pois eu não lembro de mais nada no dia seguinte. Assim, fiquei esperando os outros convidados.

Chegou um outro amigo do trabalho, algumas várias pessoas que eu não conhecia, nem de twitter, e várias outras. A cada pessoa que chegava, a anfitriã chamava para a mesa e todo mundo tomava uma dose de tequilla para celebrar a chegada. Eu, com uma lata de cerveja, escapava desta dose periódica.

E então, enquanto eu conversava com este meu amigo do trabalho, a anfitriã clama minha presença para a porta. Segundo ela, já em tom meio torto, eu precisava ver os olhos que acabaram de chegar, pois eu nunca teria visto nada igual. Fui até a porta meio sem graça, e percebi que a recém chegada estava ainda mais envergonhada, olhando para o chão. Depois de um pouco de insistência ela olhou para mim, e eu percebi seus olhos claros e realmente lindos.

Confesso, também, que me interessei por um pouco mais do que os olhos. Um pouco mais pra frente na festa, a vejo na fila do banheiro. Sim, tinha tanta gente na casa que tinha fila no banheiro. Comecei a conversar com ela, e ela estava bem mais “alegre” do que eu. Conversa vai, conversa vem, e pensei que seria uma boa hora para investir em alguma ação. Porém, neste momento, ela entrou no banheiro e, ao sair, já foi direto para o quarto com as amigas dela. Foi o típico Fumble e eu voltei para perto de uma outra amiga do trabalho, que estava meio de canto lá.

Fiquei conversando com ela até mais ou menos 4 da manhã. Quando então, a mulher dos olhos claros apareceu de novo na sala, e deitou no colchão ao lado de mim. Bastou um olhar por 2 segundos, sem falar nada, e começamos a nos beijar. Foi bem divertido e o fim da balada foi ótimo. Mas já era quase hora de sair. Então, peguei o telefone dela e então fui embora.

Ao acordar, no meio da tarde de sábado, fiquei relembrando o que aconteceu e pensando em tudo que eu falei acima, em como sou uma pessoa solitária, que não precisa de ninguém. Em como eu equipei minha casa para poder aproveitar o máximo possível meu tempo sozinho. Só que ao mesmo tempo, lembrava em como aquele beijo foi gostoso. Pensei, repensei, calculei, imaginei, e resolvi então ligar para ela, a fim de realmente a conhecer, já que na noite anterior os dois não estavam tão conscientes assim.

Marcamos então de nos encontrar na Av. Paulista no domingo. Era dia 20 de Setembro de 2009, uma tarde meio nublada, sem nada de especial. O São Paulo jogava contra o Santo André a fim de assumir pela primeira vez a liderança do campeonato brasileiro, e ganhava de 1 x 0 quando, no meio do segundo tempo, precisei sair para a encontrar. Assim que sai, ao chegar no ponto de ônibus, vi pelo twitter que o Santo André havia empatado e pensei: “Xi… mal sinal. Fui sair para a encontrar e meu time tomou um gol… sei não…”

Cheguei na Av. Paulista no horário combinado. Já haviam começado os jogos das 18h30, quando ela me ligou e disse que atrasaria um pouco. Falei que OK, e que eu estava assistindo o jogo do Corinthians contra o Goiás enquanto isso.

Foi a primeira vez que ela ficou em silêncio por alguns segundos naquela noite.

Ao sair do silêncio, com uma voz cautelosa, perguntou se eu era corinthiano. Falei que não, rindo, e que estava só secando o time preto e branco. Ela então respirou aliviado e me falou que, se eu falasse que era corinthiano, ela daria meia volta e já desencanava.

Foi a primeira fez que eu pensei que, definitivamente, tinha tomado a decisão certa naquela noite.

Uma hora depois, ela me liga falando que estava na Av. Paulista, na esquina onde combinamos, perto de um monte de hippie sentado no chão tocando banjos e afins. Eu então disse que também estava na esquina onde combinamos.

Neste momento, pela segunda vez ela ficou em silêncio, procurando algum hippie com um celular na mão, como se estivesse falando com alguém que estava esperando. Eu então confirmei verbalmente a esquina onde eu estava e descobri que estava na esquina errada. Ela dá uma gargalhada deliciosa e diz que me esperaria lá então, sem sair do lugar.

Nos encontramos e ela perguntou o que eu queria fazer, se queria ir no cinema ou algo assim. Falei que não, só queria conversar com ela, a conhecer. Pois embora nós tinhamos nos beijado, nós não nos conhecíamos. Ela me levou então para um barzinho ali perto que ela conhecia, com mesas na calçada. Adorei o lugar. Tinha um pouco de medo de ela ser uma mulher “fresca”, que gosta de locais com velas e pessoas engravatadas na porta te recebendo em francês.

Foi a segunda vez que eu vi que eu tinha tomado a decisão certa naquela noite.

Conversa vai, conversa vem, falamos de nossos filmes favoritos, músicas favoritas, animais de estimação, cores, até que resolvemos passear um pouco pela região. No caminho, decidimos assistir a um filme e acabamos comprando ingresso para a sessão das 21h30. Era um filme cabeça, pesado e sinistro, cujo nome eu não lembro mais, mas tinha muitas cenas de nudez e sangue, muito sangue.

Terminado o filme, a levei para casa a pé, conversando mais e mais sobre nossas vidas. Cheguei até a entrada do prédio dela, a dei um beijo de boa noite e segui o meu caminho para a casa.

Eu ia deixar este post para o dia do meu aniversário pois, no dia 19 de Fevereiro é o dia em que eu faço 29 anos, mas é apenas um dia antes de completar 5 meses de vida completa.

Confesso que nestes 5 meses que estamos juntos, já percebi que não temos assim tantas coisas em comum. As músicas que eu gosto, para ela parecem gritarias sem sentido, e um dos melhores filmes da minha vida, para ela, é uma baboseira sem tamanho. Porém, é exatamente isso que tem me transformado numa pessoa mais completa do que eu era.

Agora, eu as vezes vou ao teatro. Eu leio mais livros. Eu ouço mais música brasileira (baiana, para ser ainda bem exato). Eu fui para a praia. Eu viajei no fim de ano. Enfim, eu fiz várias coisas e conheço muitas coisas, que eu jamais conheceria ou faria se estivesse sozinho. Se continuasse me enganando, achando que estava vivendo, sendo que na verdade, estava apenas sobrevivendo. A vida mesmo, eu comecei a curtir depois que comecei a sair com a Camila Marin.

As vezes eu sei que eu não consigo demonstrar o quanto a amo. As vezes esqueço que preciso realmente demonstrar os sentimentos, não apenas sentir. E as vezes, também, acabo recusando algumas saídas para ainda curtir meu tempo sozinho. Afinal, fiquei mais de 10 anos sem ninguém e ainda estou muito acostumado à isso, embora de pouco a pouco eu começo a colocar a Camila cada vez mais em minhas coisas pessoais.

E por isso resolvi fazer este post. Ela é a coisa mais importante que me aconteceu nos últimos tempos. Ela é a pessoa que me fez ver que nós, seres humanos, precisamos de outra pessoa para realmente aproveitar a vida. Aquela frase “nenhum homem é uma ilha”, realmente não é só uma frase boba, é fato. Embora nós acreditemos que estamos felizes sozinhos, somente quando amamos e somos amados em volta, é que vemos a verdadeira felicidade.  Eu não sei até onde vamos. Não sei até quando vai durar e o que vai realmente resultar disso tudo. Mas sei que estou adorando cada segundo, e que estou muito mais feliz do que estaria se não tivesse a conhecido.

A imagem inicial é uma representação que faço disso tudo. Assim como o sol, a Camila veio para iluminar a minha vida e iniciar um novo ciclo. E eu termino este post com a imagem dos olhos mais encantadores que eu já vi e que, confesso, só percebi a peculiaridade deles cerca de 1 mês depois que estávamos juntos.

Um abraço a todos, e um beijo enorme para o meu anjinho.
JohnnyMaxx
Olhos

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  1. 7, Fevereiro, 2010 em 12:26 | #1

    Aeee, logo que comecei a ler o post, eu parei… abri o Winamp e comecei a tocar as músicas do Elvis, para dar um clima à minha leitura. Legal sua história cara, se parece muito com a minha em vários sentidos.

    Achei engraçado algumas partes, e concordo com o que você diz sobre o ser humano ter sido criado para viver com outra pessoa. Ninguém nasceu para viver sozinho.

    Já que você publicou o post adiantado, também te desejo um feliz aniversário adiantado, e que você seja feliz ao lado da Camila! Algum dia me apresente a ela ^^

    PS: Mais um belo texto, eu sabia q vc tinha talento, lol

    Alyx

  2. 8, Fevereiro, 2010 em 12:58 | #2

    Cara,

    Quando a Camila disse que tava namorando um cara chato, a primeira coisa que eu perguntei foi: ” Pq ele chato ”

    Aí ela me disse como vc era eu zoei.

    Vc reclamava tanto e me torrava o saco que eu era nerd, que agora vc conseguiu arrumar um cara mais nerd do que eu.

    E como Roberta e eu, aconteceu o inevitavel, vocês estão juntos e amando um ao outro, pq quando a Camila abdicou ir pra Salvador e ficar com vc, quer dizer que ela ta amando tb (e muito).

    Então parabens a vc´s dois. Ao amigo por ser como é eu sei exatamente como era a sensação de estar só e achar que estava tudo bem, até entrar uma pessoa que nos mostrar a vida de uma outra forma e por sinal muito melhor do que a gente achava que era.

    O fato é que eu tinha uma amiga que eu adorava, mesmo que ela torrasse minha paciencia e acabou que agora eu bato mais papo com o namorado dela. hehehe

  3. Cadu Oliveira
    8, Fevereiro, 2010 em 14:45 | #3

    naolinemlerei uahauhauhauha

    O que importa pra mim é você feliz rapaz, pelo amigo que é e pelo enorme coração que você tem, humor inigualável e um otimo profissional que ainda vai estourar por ae e espero ainda trabalhar de novo contigo, é muito bom.

    Então se esta moça lhe faz feliz e principalmente VOCÊ está feliz é o que pra mim, realmente importa.

    Um abraço e felicidades!

  4. camila marin
    13, Fevereiro, 2010 em 11:41 | #4

    Você jamais seria o “velho dos gatos”. Você não só devolveria a bola, como iria jogar com os meninos.
    A única coisa que mudou é que agora você vai ter uma velha pra fazer seu omelete e roubar seu cobertor a noite. Simples assim. Te amo.

  5. 23, Fevereiro, 2010 em 22:25 | #5

    ah, para. chorei

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