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Lisboa? Ora pois, eu diria Lisótima!

Vital Lacerda é o meu designer Euro favorito. Os jogos dele (Kanban, The Gallerist, Vinhos e CO2) são ótimos, em minha opinião, pois a mecânica do quebra cabeças em nossa frente casa muito bem com o tema apresentado. Soma isso a arte fantástica de Ian O’Toole nessa parceria que vem se firmando nos últimos anos, e chegamos ao mais recente jogo do português, o ótimo Lisboa.

 

O Jogo

O Devorador de Mesas

O jogo simula os 22 anos da reconstrução da cidade de Lisboa, após um terremoto devastador, que foi seguido por um tsunami enorme com ondas estimadas de até 20 metros de altura, além de vários pontos de incêndio em toda a cidade em 1755. A tragédia praticamente dizimou a cidade, com mais de 10 mil mortos. Supostamente, no dia seguinte à tragédia, Sebastião José de Carvalho e Melo (futuro Primeiro-Ministro e também conhecido como Marquês de Pombal) respondeu a pegunta “E agora?” dizendo “Agora, enterramos os mortos e cuidamos dos vivos.”, ordenando a imediata reconstrução da cidade. É aí que a gente entra. Felizmente, não na parte de cuidar dos mortos.

Mecânica do Jogo

Os 3 Nobres

Ele é basicamente um jogo de cartas. Todos os jogadores terão 5 cartas na mão. As cartas são de dois tipos: Cartas de Nobre ou Cartas do Tesouro. As duas podem ser jogadas em nosso portfólio pessoal, o que nos permitirá ganhar um benefício automático e, logo em seguida, vender recursos para o exterior ou usar esses recursos para negociar com os nobres, a fim de realizar algumas ações estatais necessárias para a reconstrução da cidade. As cartas também podem ser jogadas no tabuleiro do jogo, no espaço da Corte Real. Se você jogar uma das cartas de Nobre na Corte, você usará sua influência para visitar o gabinete do Nobre cuja carta você colocou na Corte. Ao visitar o Nobre, você faz uma Ação Nobre relacionada a ele. Se você visitou Manuel da Maia (O Construtor), poderá construir uma loja nas novas ruas da cidade. Se visitou o Marquês de Pombal, ele poderá fazer decretos que  te darão pontos ao final do jogo. Já se você visitou D. José I (O Rei), você poderá abrir um edifício público.  Já se você jogou uma Carta de Tesouro, você simplesmente paga o custo atual de financiar um evento público e realiza a ação da carta.

Então, como pode perceber, a sua decisão inicial do turno é muito simples: Você tem 5 cartas e vai jogar essa carta em algum lugar. Se for no seu portfólio você poderá fazer uma de duas ações, e se for na Corte Real, você fará uma de duas outras ações (dependendo da carta que jogou na Corte). O problema é que essas ações geram uma onda de reações pelo tabuleiro, que faz com que o jogo seja um dos mais complexos (e difíceis de explicar) que eu já joguei. Contudo, como já disse acima, a mecânica casa muito bem com o tema, e por isso o jogo flui de forma fácil. É fácil entender o que você está fazendo quando você coloca o tema do jogo na frente, e aí a complexidade não se traduz em confusão e nem em um jogo muito demorado.

Componentes

O marcador do Tesouro Real

Os componentes são lindos, como já é de se esperar dessa parceria Vital Lacerda (designer), Ian O’Toole (artista) e Eagle Gryphon Games (publisher). Tokens grossos, resistentes, cartas com ótimo acabamento e tokens/meeples de madeira super bem feitos. Infelizmente, na versão nacional publicada pela Mandala Jogos houve uma divergência nesse ponto, e não só as cartas não tiveram o mesmo acabamento, como o tabuleiro pessoal foi totalmente modificado, removendo uma terceira camada que foi criada para facilitar a jogabilidade. Isso não faz com que a versão nacional seja ruim. Longe disso, a versão nacional está muito boa também. O problema é que como temos a comparação gringa e, principalmente, temos também o The Gallerist nacional que tem componentes muito mais bem acabados, e aí fica aquele gostinho de “podia estar melhor”.

Rejogabilidade
Como o jogo depende das cartas que você recebe, além das cartas que pode pegar, e principalmente a sua pontuação vai depender bastante das cartas de decreto (mais de 70 cartas) e dos poderes da igreja (mais de 30), dificilmente você vai repetir a mesma estratégia em duas partidas, o que é muito legal e dá sempre um ar de novidade ao jogar. Isso vai ao extremo se você conseguir adicionar os componentes do Kickstarter, que adicionam aleatoriedade também nos benefícios que você ganha ao construir uma loja e edifícios públicos.

Resumo
Lisboa é um baita jogo! Valeu cada segundo da espera e cada centavo gasto na compra. É mais um sucesso do designer Vital Lacerda, que vai garantir um ótimo desafio para você e seus amigos por várias partidas. Caso queira ver como o jogo rola, veja abaixo o meu vídeo mostrando a primeira metade de uma partida simulada para 3 jogadores.

Abraços!
Johnnymaxx

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