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Betrayal at House on the Hill – Análise

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Imagine que você é um conhecido membro da comunidade em seu campo de estudo específico. Um belo dia, você recebe um convite oculto, pedindo para você ir visitar uma mansão em uma colina. Embora o convite não tenha nome de remetente, você se sente impulsionado a ir devido à promessa de que você poderá encontrar respostas para as pesquisas que você tem feito. Ao chegar lá, você descobre que mais gente também foi convidada para esta mansão, cada um com uma característica bem particular e nenhum de vocês jamais se viram antes. Ao chegar na casa, não tem ninguém para lhes receber, mas a porta está aberta. De repente, o tempo fecha. Nuvens pesadas cobrem o céu com raios e trovões, enquanto uma forte ventania ameaça derrubar as árvores da região. Vocês correm para dentro da mansão com a porta aberta para se abrigar e aproveitar para encontrar quem os convidou. Ao chegar no hall, não há ninguém à vista. A porta abruptamente se fecha atrás de vocês e vocês ouvem o som dela sendo trancada. As luzes não ligam. Vocês estão sós, em uma mansão em uma colina longe da civilização.

Certamente vocês já viram alguns filmes com roteiros parecidos com esses, mas não estamos falando de um filme aqui. Estamos falando do jogo Betrayal at House on the Hill, um jogo para 3 a 6 jogadores publicado pela Avalon Hill em 2004 e que possui uma legião de fans ao redor do mundo. Recentemente a versão da Avalon Hill não existe mais, mas você encontra a segunda edição, publicada pela Wizards of the Coast em 2010.

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CaixaBetrayal at House on the Hill
Jogadores: 3 – 6
Tempo Médio: 60 Minutos
Mecânicas: Cooperativo, Rolagem de Dados, Tabuleiro Modular
Categorias: Exploração, Horror, Miniaturas
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A sensação que tem algo especial nesse jogo acontece logo de início, quando você percebe que você não tem uma condição de vitória já definida. Afinal, em todo o jogo a primeira pergunta que a gente faz (ou recebe, quando estamos ensinando o jogo para alguém) é: “Como é que eu ganho?”. Em Betrayal, seu único objetivo no começo do jogo é explorar a mansão. Você e os outros jogadores foram chamados lá por alguém, e é preciso descobrir quem te chamou e/ou o que está acontecendo na casa.

MansaoCom isso, chegamos no quesito tabuleiro. Como nós estamos chegando na casa agora, a forma que os designers acharam para nos dar essa sensação de exploração do desconhecido foi fazer o tabuleiro modular, que você monta conforme for avançando. Você tem um deck embaralhado de tiles onde cada tile é um aposento e conforme os jogadores vão explorando a casa, vocês revelam este aposento e o posicionam, resolvendo os efeitos que sugem no aposento, como algum evento sobrenatural, um item que você pega, uma situação de habilidade e etc. Isso faz com que cada vez que você jogue a mansão tenha um layout completamente diferente.

PersonagensPara avançar na casa você escolhe entre 12 personagens distintos. O jogo curiosamente vem com apenas 6 miniaturas, mas a ficha de personagem tem dois lados com dois personagens bem diferentes nela. Os personagens possuem 4 atributos que serão testados durante a exploração: Os atributos físicos são Velocidade, que te indica quantos cômodos você pode avançar por vez no seu turno; e Força, que normalmente será testada nos combates mas também pode ser usada para superar alguns desafios dos aposentos da mansão. Já os atributos mentais são Sanidade, que será desafiada pelos eventos sobrenaturais; e o Conhecimento, que te ajudará a descobrir e utilizar vários livros pela casa.

Conforme os jogadores exploram, pegam itens e resolvem eventos, vocês ganham ou perdem pontos de atributos. Quando qualquer um de seus atributos chegar a 0, o seu personagem morre. Porém, nesta fase de exploração nenhum personagem pode morrer, assim como também ninguém pode atacar ninguém. Isso só acontece quando a Maldição for revelada.

Investigadores

A Maldição é o que faz o jogo ter um objetivo! Durante a exploração vocês pegam algumas cartas chamadas de Omens (um tipo de premonição), que pode ser ou algum item ou algum aliado que você encontrou na mansão e te ajudará durante o jogo. Quando você pega um Omen (aaahhh tantas piadinhas infantis….) você é obrigado a fazer uma rolagem de dados para saber se a Maldição aconteceu. Se ela acontecer, o jogo mudará totalmente.

O que era até então um jogo cooperativo, vira um jogo de “1 contra todos” (provavelmente), onde um personagem pode ser revelado como um traídor que atraiu os outros para a mansão para realizar alguma coisa macabra. Ou então um personagem foi possuído por um demônio. Ou então algum vírus alienígena está contaminando o ar e qualquer um dos jogadores pode ter sido dominado por uma entidade malígna e ninguém (além do jogador em questão) sabe quem é! É neste momento que os jogadores lerão o cenário correspondente e saberão quais são as suas respectivas condições de vitória.

LivrosO jogo vem com 50 cenários, fazendo com que você tenha no mínimo 50 chances de ter uma partida totalmente nova, mesmo que esteja jogando sempre com o mesmo grupo! E se você pensar que o jogo no lado do traídor é bem diferente do jogo no lado dos sobreviventes, esse número aumenta para quase 100 partidas! A rejogabilidade do jogo é enorme e definitivamente não vai te decepcionar nesse ponto. Afinal, o traidor lê em seu livro o que ele precisa fazer para vencer o jogo, enquanto os sobreviventes farão o mesmo no livro deles. Ao começarem a jogar, os sobreviventes não sabem o que o traídor precisa fazer para ganhar e vice-versa! É ótimo!

Para mim, este é um dos melhores jogos que eu tenho na minha coleção. A aleatoriedade dos aposentos, a aleatoriedade dos itens (são cerca de 40 cartas de itens e certametne você vai pegar somente umas 4 por partida), a aleatoriedade dos eventos e, principalmente, os cenários super criativos e imaginativos, fazem com que após cada partida você tenha uma história excelente para contar com seus amigos, cheia de suspense, tensão e algumas ações heróicas.

Por último, deixo aqui embaixo um vídeo que fiz mostrando os componentes e explicando as regras do jogo, bem como fazendo uma simulação de uma rodada completa para dar uma sensação melhor de como é jogar o Betrayal at House on the Hill. Sugiro que assistam e vejam se o jogo será mesmo tão bom para vocês quanto ele é para mim.

Abraços,
Johnnymaxx

  1. Cadê a Rebouças?
    5, outubro, 2015 em 14:18 | #1

    Use este espaço para deixar o seu comentário. Mas claro, pode apagar esta mensagem antes, por favor. 🙂

  2. Johnnymaxx
    5, outubro, 2015 em 14:55 | #2

    Ora, cale-se… ^^

  3. Ed
    6, outubro, 2015 em 09:26 | #3

    Parabéns pela iniciativa. Com certeza os boardgames modernos estão virando uma febre. Só uma correção em relação ao Betrayal, ele foi lançado em 2004, a Wizard assumiu o jogo já em sua segunda edição em 2010.

    Abs

  4. Johnnymaxx
    6, outubro, 2015 em 09:31 | #4

    @Ed Obrigado pelo comentário, e muito obrigado pela correção! Eu dei uma pesquisada rápida e vi que tinha 2 nomes no campo de Publisher, a Wizard of the Coast e a Avalon Hill, mas eu simplesmente assumi que a Wizard of the Coast era o novo nome da Avalon Hill e aí eu escrevi… fica a lição para fazer uma pesquisa melhor antes de postar. 🙂

    Vou corrigir na postagem e obrigado de novo. 🙂

    EDIT: Caraca, quando fui editar eu vi que eu tinha escrito 2014…. viajei e não notei em nenhuma das minhas leituras de revisão hahaha malz aí. Eu queria ter escrito 2004 mesmo.

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